“Laroyê, Grande Rio”: desfile campeão de Exu vira exposição de arte no MAR

Publicado porem 19/12/2023

O desfile “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu” do Acadêmicos do Grande Rio, campeão do Carnaval de 2022, ganhou mais um desdobramento. Dessa vez, por meio de uma releitura em um dos espaços de arte mais emblemáticos do Rio de Janeiro. A mostra “Laroyê, Grande Rio” vai ocupar o Museu de Arte do Rio entre os dias 15 de dezembro a 03 de março de 2024, e promete fazer o público reviver as emoções que levaram a agremiação a um inédito campeonato.

Com curadoria de Leonardo Antan, Luise Campos e Thomas Reis, a exposição exibirá peças que foram para a Avenida, como fantasias, esculturas e elementos cenográficos e alegóricos, além de contar com a obra de artistas convidados que serviram de inspiração para o trabalho dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. São nomes como Mulambo, Cety Soledade, Guilherme Kid e Ju Angelino, que compõem também o time de artistas que mostram a atualidade e a ressonância do cortejo na sociedade contemporânea.

Para os curadores, um dos intuitos da mostra é celebrar a potência artística do desfile ressignificando as peças que passaram pela Sapucaí com sua presença em um museu. Segundo eles, o desafio de fazer com que o público experiencie de forma diferente a produção carnavalesca, produzindo novas emoções em diálogo com a chamada arte canônica, foi um exercício instigante. “Um desfile de escola de samba é pensado para ser uma experiência única, que passa pela Avenida em 75 minutos. Fazer com que seus elementos ganhem caráter mais permanente, coroando o trabalho de todo um ano de artistas de barracão, é ao mesmo tempo um desafio e uma tarefa gratificante”, declaram.

Para além da ocupação das galerias de arte com obras de arte do Carnaval, o que por si só gera uma série de discussões, a exposição evoca ainda um orixá bastante demonizado e controverso das religiões de matriz africana. Por isso, a exposição busca também uma forma de discutir a essência dessa divindade para além do preconceito e da visão comum de que o orixá estaria associado ao diabo na cultura ocidental. Sobre isso, o carnavalesco Leonardo Bora afirma: “Ocupar um espaço tão importante como o Museu de Arte do Rio com uma exposição integralmente pensada a partir de um desfile de escola de samba cujo enredo exaltou (e continua a exaltar, porque nunca termina – se transforma e expande) as potências de Exu, complexo divino tão demonizado devido ao racismo religioso, é algo que nos enche de orgulho, força e alegria. Axé, energia vital. As escolas de samba do Rio de Janeiro anualmente interpretam, fantasiam, projetam visões de Brasil. Brasis. O nosso desejo é que as narrativas carnavalescas e as visualidades das agremiações sambistas ocupem cada vez mais espaços, levantando discussões e causando fricções, faíscas. Ruas, barracões, museus, avenidas, galerias, praças, terreiros, o infinito. Redemoinho fervente”.

Gabriel Haddad complementa: “Entendemos que os desfiles das escolas de samba são a mais complexa manifestação artística desse país. É sempre muito difícil, eu diria impossível, classificar, apreender. É preciso viver, ouvir os tambores. São muitos saberes e muitas chaves, sob o manto de cada corpo coletivo. Exu é caminho, mensagem, movimento, jogo, desvio, travessia. O desfile da Tricolor de Caxias, em 2022, fez a Sapucaí pulsar, viva e combativa. Mais do que tentar reproduzir ou recriar tudo isso, o que seria uma tarefa sem sentido, a exposição é uma celebração e um convite aos atravessamentos. Esperamos que todas, todos e todes escutem as palavras de Exu e os Laroyês da Grande Rio!”.

O projeto conta com fomento da Secretaria de Cultura municipal do Rio de Janeiro, por meio do FOCA e é realizado pelo coletivo Carnavalize. A inauguração da exposição foi no dia 15 de dezembro, com show da bateria e diversos segmentos da Grande Rio. Foi mais uma celebração ao título da agremiação, um desfile que não se encerra após o período carnavalesco e segue ecoando.

_ Via RJ4 News


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